Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 6: A velhice de uma mãe culpada

Página 190
A velhice de uma mãe culpada

Num dos primeiros dias do mês de junho de 1844, uma senhora de cerca de cinqüenta anos, mas que parecia mais velha, passeava ao sol, perto do meio-dia, por uma alameda, no jardim de um grande palacete situado na rua Plumet, em Paris. Depois de ter dado duas ou três voltas pela vereda levemente sinuosa, onde se achava para não perder de vista as janelas de um aposento que parecia atrair toda a sua atenção, foi sentar-se numa cômoda cadeira de palha. Do lugar onde se encontrava, a dama podia abranger através das grades não só os bulevares interiores, no centro dos quais se elevava a admirável cúpula dos Inválidos, realçando seu dourado entre os olmeiros, paisagem admirável, mas também o aspecto menos grandioso do seu jardim, terminado pela fachada acinzentada de um dos mais belos palácios do bairro Saint-Germain. Ali tudo se achava mergulhado em silêncio, os jardins vizinhos, os bulevares, os Inválidos; porque, nesse aristocrático bairro, o dia só começa ao meio-dia. A não ser por algum capricho, ou porque uma jovem queira montar a cavalo, ou porque um velho diplomata tenha um protocolo por refazer, a essa hora, criados e patrões, todos dormem, ou todos despertam.

A velha senhora tão matutina era a marquesa d’Aiglemont, mãe da senhora de Saint-Héreen, a quem pertencia esse belo palácio. A marquesa privara-se dele em proveito de sua filha, a quem tinha dado toda a sua fortuna, reservando para si uma pensão vitalícia. A condessa Moina de Saint-Héreen era a última filha da senhora d’Aiglemont. Para fazê-la desposar o herdeiro de uma das casas mais ilustres de França, a marquesa sacrificara tudo. Nada mais natural: tinha perdido sucessivamente três filhos; um, Carlos, no desastre do Bièvre; Gustavo, marquês d’Aiglemont, morrera de cólera; o outro, Abel, tinha sucumbido em Constantina.

<< Página Anterior

pág. 190 (Capítulo 6)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro A Mulher de Trinta Anos
Páginas: 205
Página atual: 190

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Primeiros erros 1
Sofrimentos desconhecidos 75
Aos trinta anos 98
O dedo de Deus 123
Os dois encontros 138
A velhice de uma mãe culpada 190
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site