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Capítulo 17: XVII - Contas de Carlos com a consciência

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XVII - Contas de Carlos com a consciência

Impressionado pelas ocorrências daquela noite, que lhe afugentavam o sono, Carlos ao voltar a casa encostou-se pensativo à mesa e abriu maquinalmente um livro.

Quis o acaso que fosse um volume das obras de Byron e nas Horas de Ócio. Carlos leu.

Woman! experience might have told me…

A atenção já o não acompanhou ao segundo verso. Fora fatal a primeira palavra: – Woman! – mulher! – Apoiada neste mágico substantivo, a imaginação ganhou esforço e, deixando os sentidos seguirem os versos restantes, divagou, à sua vontade, mais rápida e por mais longe do que eles.

O caminho, que estes continuaram seguindo, provavelmente poderá o leitor encontrá-lo, se quiser, na sua biblioteca; deixaremos por isso Byron em paz e iremos, como pudermos, atrás da imaginação de Carlos.

Principiou por se recordar da revelação que a um acaso devera momentos antes. Recordar, disse eu? Para com rigor me poder servir do termo, era necessário que tal descoberta lhe tivesse já, por instantes sequer, deixado livre o campo do pensamento; e teria? É lícito duvidar.

Entrou depois Carlos em tarefa mais activa, qual foi a de tentar avivar a imagem de Cecília, que apenas lhe aparecia como vaga reminiscência, e velada por uma nuvem, que ele em vão procurava dissipar.

Se o leitor já alguma vez pôs ombros a empresa destas, deve saber que desesperadoras dificuldades elas trazem quase sempre consigo. Quanto mais ardente é o desejo de recordar uma fisionomia, que ainda não temos bem gravada na memória, tanto mais parece comprazer-se um maligno espírito de impacientar-nos, alterando-lhe completamente o tipo, combinando os elementos fisionómicos mais disparatados, debuxando a capricho o perfil, colorindo mentirosamente os cabelos e a tez, assombrando com a mais grosseira infidelidade as inflexões e os relevos.

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Capa do livro Uma Família Inglesa
Páginas: 432
Página atual: 197

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Espécie de prólogo, em que se faz uma apresentação ao leitor 1
II - Mais duas apresentações, e acaba o prólogo 11
III - Na Águia de Ouro 21
IV - Um anjo familiar 42
V - Uma manhã de Mr. Richard 53
VI - Ao despertar de Carlos 61
VII - Revista da noite 71
VIII - Na praça 81
IX - No escritório 94
X – Jenny 110
XI – Cecília 119
XII - Outro depoimento 128
XIII - Vida portuense 139
XIV - Iminências de crise 159
XV - Vida inglesa 168
XVI - No teatro 182
XVII - Contas de Carlos com a consciência 197
XVIII - Contas de Jenny com a consciência de Carlos 212
XIX - Agravam-se os sintomas 222
XX - Manuel Quintino procura distracções 236
XXI - O que vale uma resolução 247
XXII - Educação comercial 262
XXIII - Diplomacia do coração 277
XXIV - Em que a senhora Antónia procura encher-se de razão 283
XXV - Tempestade doméstica 290
XXVI - Ineficaz mediação de Jenny 298
XXVII - O motivo mais forte 305
XXVIII - Forma-se a tempestade em outro ponto 312
XXIX - Os amigos de Carlos 326
XXX - Peso que pode ter uma leviandade 344
XXXI - O que se passava em casa de Manuel Quintino 353
XXXII - Os convivas de Mr. Richard 362
XXXIII - Em honra de Jenny 371
XXXIV - Manuel Quintino alucinado 381
XXXVI - A defesa da irmã 397
XXXVII - Como se educa a opinião pública 406
XXXVIII - Justificação de Carlos 412
XXXIX - Coroa-se a obra 422
Conclusão 432