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> Artigos > 2013 > O Nascimento do Romance (4 de 6)

O Nascimento do Romance (4 de 6)

Porque é que outras obras como Moll Flanders ou Dom Quixote não são consideradas romances.

Sem pretenderem dizer a última palavra acerca do próprio género romântico, muitos estudiosos concordam em que estes primeiros exemplos – e existem dúzias deles – falham naquilo que normalmente pode definir-se como romance. Dáfnis e Cloé, como o romance grego em geral, é demasiado curto. As novelas devem ter um determinado tamanho – embora ninguém especifique qual. Também são pouco complicadas. O Decameron continua a ser uma colecção de contos, quase sem qualquer da profundidade psicológica que esperamos encontrar na moderna ficção. E a Arcádia não tem a menor semelhança com a realidade de todos os dias.

O Dom Quixote levanta outra espécie de problema, porque inspirou todo um género conhecido como «romance picaresco» (que conta as aventuras de um herói que por uma ou outra razão está fora da sociedade normal) e que é talvez formalmente demasiado inverosímil para ser um verdadeiro romance. Isto é, nenhuma aventura do patrão e do criado segue forçosamente a que a precede ou conduz à seguinte. Qualquer das aventuras se pode trocar com a outra, quanto à situação no livro. Os acontecimentos não têm consequências inevitáveis ou a longo prazo, como acontece nos romances mais bem elaborados do nosso tempo, e as personagens surgem igualmente por acaso, estão uns momentos presentes e depois desaparecem de todo. Os romances de Defoe apresentam também um problema mais subtil. Cada um pretende narrar literalmente a verdade, apenas «publicada» por Defoe. Moll Flanders é uma narrativa na primeira pessoa, que se presume escrita pela própria Moll uns 40 anos antes de ser publicada, e Defoe garante que se limitou a limpar um pouco a linguagem dela. A razão porque Defoe escolhe as suas máscaras, por que se esconde atrás das suas personagens numa busca de absoluto e de realidade literária, é uma complicada questão estética. Mas psicologicamente parece ter falhado num dogma básico do romance: enquanto este luta por um sentido de realidade, não pretende ser a verdade literal. Quando lemos um romance devemos aceitar as personagens e o mundo em que elas vivem, mas ao mesmo tempo saber que estamos perante uma ficção que tem as suas verdades mais elevadas a dizer.

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Artigo o-nascimento-do-romance-4
Título: O Nascimento do Romance (4 de 6)
Data: 18/01/2013
Autor:
Tema: Literatura
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