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> Artigos > 2013 > O Nascimento do Romance (5 de 6)

O Nascimento do Romance (5 de 6)

A obra de Defoe, por exemplo, não explora a psicologia das personagens sendo quase descritivas.

Defoe, um jornalista com experiência, confundiu essa fronteira entre o facto jornalístico e a verdade artística.

Além disso, as suas narrativas tendem a arrastar-se. Ia-as prolongando conforme escrevia, sem fazer ideia de quando as terminava ou de quando devia dar-se um incidente especial no momento exato em vez de em qualquer outro ponto da história. Vemos Dickens e os romancistas de séries actuar em geral desta forma no século XIX, mas Dickens tinha, pelo menos, melhor sentido da forma do que Defoe. E a verdade é que havia lido mais romances, incluindo os de Defoe.

Talvez pior do que tudo, Defoe preocupava-se tanto com a descrição viva da parte superficial da vida – o que faz de maneira sublime – que parece não lhe ter sobrado tempo, paciência ou talento para uma exploração mais profunda da psicologia interior ou da vida espiritual das suas personagens. Robinson Crusoe, na sua ilha deserta, porta-se tal e qual como se estivesse em Inglaterra: Defoe estava mais interessado na sua sobrevivência material do que na sobrevivência mental – e aquilo que devia ser a experiência do trauma psicológico da completa solidão, alienação e abandono é vagamente tratado.

Com Pamela, todavia, temos qualquer coisa completamente diferente. Qual era a consciência do próprio Richardson com inovador? Escreveu a um amigo dizendo que esperava que o seu romance «pudesse apresentar uma nova forma de escrever». E nele existe sem dúvida uma intriga coerente, embora prolixa, com bastante dose de suspense, acerca do destino de uma rapariga com quem muitas das leitoras do século XVIII podiam identificar-se. Richardson tinha um agudo sentido do sistema de classes da sua época. Sabia quantas raparigas aspiravam em segredo casar-se com os patrões, como isso era pouco provável, quantos os perigos desta situação e quais as atitudes da sociedade perante essa aliança desigual.

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Artigo o-nascimento-do-romance-5
Título: O Nascimento do Romance (5 de 6)
Data: 18/01/2013
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