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Capítulo 4: IV

Página 19
- “O amor não é isso que pica a tua curiosidade. As mulheres são fáceis de transigir de boa-fé com a mentira, e, pobres mulheres!... Sucumbem muitas vezes à eloquência artificiosa de um conquistador. Os homens, fartos de estudarem as paixões na sua origem, e enfadados das rápidas ilusões que eles choram todos os dias, estão prontos sempre a declararem-se afectados de cólera-paixão, e nunca apresentam carta limpa de cépticos. De maneira que o sexo frágil das quimeras sois vós, criancinhas de toda a vida, que brincais aos trinta anos com a mulher como aos seis brincáveis com os cavalinhos de pau, e os fradinhos de sabugo! Olha, Carlos, eu não sou ingrata... Vou-me despedir de ti, mas hei-de conversar contigo ainda. Não instes; abandona-te à minha generosidade, e verás que alguma coisa lucraste em me encontrar e em me não conhecer. Adeus.

Carlos acompanhou-a com os olhos, e permaneceu alguns minutos numa espécie de idiotismo, quando a viu desaparecer à saída do teatro. O seu primeiro pensamento foi segui-la; mas a prudência lembrou-lhe que era uma indignidade. O segundo foi empregar a intriga astuciosa até roubar alguma revelação àquela Sofia da primeira ordem ou à Laura da segunda. Não lhe lembraram recursos, nem eu sei quais eles poderiam ser. Laura e Sofia, para dissiparem completamente a esperança ansiosa de Carlos, tinham-se retirado. Era necessário esperar, era necessário confiar naquela mulher extraordinária, cujas promessas o alvoroçado poeta traduzia em mil versões.

Carlos retirou-se, e esqueceu não sei quantas mulheres, que ainda, na noite anterior, lhe povoaram os sonhos. Ao amanhecer, ergueu-se, e escreveu as reminiscências vivas da cena, quase fabulosa, que lhe transtornava o plano de vida.

Não houve nunca um coração

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Capa do livro Coisas que só eu sei
Páginas: 51
Página atual: 19

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 7
III 12
IV 18
V 22
VI 27
VII 32
VIII 36
IX 40
X 46
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