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Capítulo 2: II

Página 8
Não comeces a desvanecer-te com uma conquista esperançosa. Faz calar o teu amor-próprio, e emprega a tua vaidade em bloquear com ternuras calculadas uma inocente a quem possas fazer feliz, enquanto a enganas...”

- “Julgas, portanto, que te minto!...”

- “Não julgo, não. Se mentes a alguém é a ti próprio: bem vês que não te creio.. Tempo perdido! Anda, vem comigo, senão...”

- “Senão... O quê?”

- “Senão... Olha.”

E a melindrosa desconhecida largou-lhe o braço com delicadeza, e retirara-se, apertando-lhe a mão.

Carlos, sinceramente comovido, apertou aquela mão, com o frenesi apaixonado de um homem que quer suster a fuga da mulher por quem se mataria.

- “Não,” - exclamou ele com entusiasmo - “não me fujas, porque me levas a esperança mais bela que o meu coração concebeu. Deixa-me adorar-te, sem te conhecer!... Não levantes nunca esse véu... Mais deixa-me ver a face da tua alma, que deve ser a realidade de um sonho de vinte e sete anos...”

- “Estás dramático, meu poeta! Eu sinto realmente a minha pobreza de palavras garrafais... Queria ser uma vestal de estilo fervente para sustentar o fogo sagrado do diálogo... O monólogo dever cansar-te, e a tragédia desde Sófocles até nós não pode dispensar uma segunda pessoa...”

- “És um prodígio...”

- “De literatura grega, não é verdade? Inda sei muitas outras coisas da Grécia. A Lais também era muito versada, e repetia as rapsódias gregas com um garbo sublime; mas a Lais era... Sabes tu o que ela era?... E serei eu o mesmo? Já vês que a literatura não é sintoma de virtudes dignas da tua afeição...”

Tinham chegado ao camarote na segunda ordem. O dominó-veludo bateu, e a porta foi, como devia ser, aberta.

A família que ocupava o camarote compunha-se de muitas pessoas, sem tipo, vulgaríssimas, e prosaicas de mais para captarem a atenção de um leitor avesso a trivialidades.

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Capa do livro Coisas que só eu sei
Páginas: 51
Página atual: 8

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 7
III 12
IV 18
V 22
VI 27
VII 32
VIII 36
IX 40
X 46
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