A Mulher de Trinta Anos - Cap. 5: Os dois encontros Pág. 166 / 205

- É preciso destruir isto - disse, após um momento de silêncio e mostrando o bastidor. - Não poderia ver o mais pequenino objeto que a recordasse.

A terrível noite de Natal durante a qual o mar quês e a mulher tiveram o infortúnio de perder a filha mais velha, sem terem podido opor-se ao estranho do mínio exercido pelo seu raptor involuntário, foi como um aviso que o Destino lhes deu. A falência de um agente de câmbio arruinou o marquês, que hipotecou os bens da mulher para tentar uma especulação, cujos benefícios deviam restituir à família sua primitiva fortuna; mas essa empresa acabou de arruiná-lo. Levado pelo desespero a tentar de tudo, o general expatriou se. Seis anos haviam decorrido desde sua partida. Apesar de raras vezes a família ter recebido notícias suas, alguns dias antes do reconhecimento da independência das repúblicas americanas pela Espanha ele anunciara seu regresso.

Numa bela manhã, alguns negociantes franceses, impacientes por voltarem à pátria com as riquezas adquiridas ao preço de grandes trabalhos e perigosas viagens empreendidas tanto no México como na Colômbia, achavam-se a algumas léguas de Bordeaux, a bordo de um brigue espanhol. Um homem, envelhecido mais pelas fadigas e penas que pelos anos, estava encostado à amurada e parecia insensível ao espetáculo que se oferecia aos olhos dos passageiros reunidos no convés. A salvo dos perigos da navegação e convida dos pela beleza do dia, todos ali se achavam como para saudar a terra natal. A maior parte dentre eles tentava ansiosamente vislumbrar, na distância, os faróis, os edifícios da Gascogne, a torre de Corduan, mescla dos com as criações fantásticas de algumas nuvens brancas que se elevavam no horizonte. Se não fosse a espuma prateada que tremulava em frente do brigue e o longo sulco rapidamente desfeito que deixava atrás de si, os viajantes poderiam julgar-se imóveis em meio ao oceano, tão calmo estava o mar.





Os capítulos deste livro