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Capítulo 1: O gato negro

Página 2

Casei cedo e tive a felicidade de encontrar na minha mulher uma disposição semelhante à minha. Observando o meu gosto pelos animais domésticos, não perdia uma oportunidade de encontrar os mais agradáveis dentro de cada espécie. Tivemos pássaros, peixinhos vermelhos, um belo cão, coelhos, um macaquinho e um gato.

Este último era um animal extraordinariamente grande e bonito, todo preto, e de uma inteligência espantosa. Ao falar da sua inteligência a minha mulher, que, no fundo, não era nem um bocadinho supersticiosa, fazia frequentes alusões à antiga crença popular que considerava todos os gatos pretos como feiticeiros disfarçados. Não que ela falasse a sério - e se menciono o assunto é que, por acaso, acabo agora de me lembrar disso.

Plutão - era o nome do gato - era o meu animal preferido e o meu melhor companheiro de jogos. Só eu o alimentava e ele seguia-me por toda a casa. Chegava a ser difícil evitar que me seguisse quando eu saía à rua.

A nossa amizade durou, assim, vários anos, durante os quais o meu temperamento e personalidade - por influência do Demónio Intemperança - tinham (e coro ao confessá-lo) sofrido uma alteração radical para pior. De dia para dia ficava mais irritável, mais mal-humorado, mais indiferente aos sentimentos dos outros. Permiti-me tratar a minha mulher com maus modos. Acabei mesmo por usar de violência para com ela. Os meus bichos, claro, vieram a ressentir-se da minha mudança de disposição. Não só os abandonava como ainda os maltratava. Com o Plutão, contudo, ainda me dominava o suficiente para não o maltratar como maltratava sem escrúpulos os coelhos, o macaco e mesmo o cão quando estes, por acaso ou movidos pela afeição, se me atravessavam no caminho. Mas a minha doença piorava - que doença haverá pior que o álcool? - e finalmente o próprio Plutão, que envelhecera e se tornara menos disponível com a idade o próprio Plutão começou a sofrer os efeitos do meu mau humor.

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O gato negro 1
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