O Triunfo dos Porcos - Cap. 7: CAPÍTULO VII Pág. 54 / 94

- Não acredito - disse. - Bola-de-Neve lutou bravamente na Batalha do Estábulo. Isso eu vi com meus próprios olhos. Pois nós até não lhe demos uma "Herói Animal, Primeira Classe", logo depois? -

- Esse foi o nosso erro, camaradas. Pois agora sabemos, e está tudo escrito nos documentos encontrados que, na realidade, ele tentava conduzir-nos à desgraça.

- Mas ele foi ferido - insistiu Sansão. - Todos o vimos ensanguentado.

- Isso era parte do trato - gritou Garganta.- O tiro de Jones pegou apenas de raspão. Eu poderia mostrar isso a vocês, escrito com a letra dele mesmo, se vocês soubessem ler. A combinação era Bola-de-Neve dar o sinal de retirada no momento crítico e abandonar o terreno ao inimigo. E ele quase conseguiu isso, posso dizer até que teria conseguido, se não fosse o nosso heróico Líder, o Camarada Napoleão. Lembram-se de que, bem no momento em que Jones e seus homens atingiram o pátio, Bola-de-Neve, de repente, virou-se e fugiu, seguido de muitos animais? E não foi nesse exato momento, quando já nos dominava o pânico e tudo parecia perdido, que o Camarada Napoleão surgiu proferindo o brado de "Morte à Humanidade!" e fincou os dentes na perna de Jones? Por certo vocês se lembram disso, não é, camaradas? - exclamou Garganta, dando pulinhos de um lado para outro.

Bem, agora que Garganta descrevera a cena tão vividamente, parecia aos animais que de fato se lembravam. Pelo menos lembravam-se de, no momento crítico da Batalha, Bola-de-Neve voltar-se para fugir. Sansão, porém, ainda permanecia um tanto contrafeito.

- Não acredito que Bola-de-Neve fosse um traidor desde o começo - disse por fim. - O que fez depois, é outra coisa. Eu ainda acho que na Batalha do Estábulo ele foi um bom camarada.

- Nosso Líder, o Camarada Napoleão - disse - Garganta, falando devagar e com firmeza -, declarou categoricamente, categoricamente, camaradas!, que Bola-de-Neve era agente de Jones desde o início.





Os capítulos deste livro