A Mulher de Trinta Anos - Cap. 6: A velhice de uma mãe culpada Pág. 203 / 205

.. E sermão por causa do Alfredo...

- Não adivinharia tão facilmente, Moina - tornou a marquesa em tom grave, tentando conter as lágrimas -, se não sentisse que...

- Que? - volveu Moina, quase com altivez. - Mas, minha mãe, na verdade...

- Moina - retrucou a senhora d’Aiglemont com grande esforço -, é preciso que ouça atentamente o que devo dizer-lhe...

Estou ouvindo - tornou a condessa, cruzando os braços e aparentando uma impertinente submissão.

- Permita-me, minha mãe - acrescentou com incrível sangue-frio -, que chame Paulina, a fim de mandá-la...

Tocou.

- Minha querida filha, Paulina não pode ouvir...

- Mamãe - replicou a condessa muito séria, o que deveria ter parecido extraordinário à mãe -, eu devo... - Calou-se; a criada entrava.

- Paulina, vá à casa de Baudran saber por que não me mandou ainda o chapéu...

Sentou-se e fitou a mãe com atenção. Esta, com o coração oprimido, os olhos enxutos e sentindo naquele momento uma dessas emoções cuja dor só uma mãe pode compreender, tomou a palavra para mostrar à filha o perigo que corria. Mas, ou porque se achasse melindrada pelas suspeitas que a mãe concebera com respeito ao filho do marquês de Vandenesse, ou porque fosse tomada de uma dessas loucuras incompreensíveis, cujo segredo está na inexperiência de todas as jovens, Moina aproveitou um momento em que a mãe se calara para dizer-lhe, rindo forçadamente: - Mamãe, só a supunha ciumenta do papai...

A essas palavras, a senhora d’Aiglemont cerrou os olhos, curvou a cabeça e soltou um débil suspiro. Lançou um olhar ao céu, como para obedecer ao sentimento invencível que nos faz invocar Deus nas grandes crises da vida; depois, dirigiu à filha os olhos cheios de uma majestade terrível, onde também transparecia a dor mais profunda.





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