Alma - Cap. 8: Capítulo 8 Pág. 36 / 51

Limitais o poder do Criador, que é sem limites, e nós o estendemos até onde alcança sua existência. Perdoe-nos que o cremos onipotente, e nós os perdoaremos que restrinjais seu poder. Sem dúvida sabeis tudo o que pode fazer e nós ignoramos. Vivamos como irmãos, adorando tranquilamente ao Pai comum. Só temos de viver um dia, vivamos em paz, sem proporcionarmos questões que se decidirão na vida imortal».

O homem brutal, não encontrando nada que replicar aos filósofos, incomodandose, falou e disse muitas bobagens. Os filósofos se dedicaram durante algumas semanas a ler história, e depois deste estudo, eis aqui o que disseram àquele bárbaro indigno de estar dotado de alma imortal:

«Temos lido que na antiguidade havia tanta tolerância como em nossa época, que nela se encontram grandes virtudes, e que por suas opiniões não perseguiam aos filósofos. Por que, pois, pretendeis que nos condenem ao fogo pelas opiniões que professamos? Acreditavam na antiguidade que a matéria era eterna; porém os que supunham que era criada, não perseguiram aos que não acreditavam. Disse-se então que Pitágoras, em uma vida anterior, havia sido galo, que seus pais haviam sido cervos, e apesar disto, sua seita foi querida e respeitada em todo o mundo. Os estóicos reconheciam um Deus mais o menos semelhante ao que admitiu depois temerariamente Espinosa; o estoicismo, sem dúvida, foi a seita mais acreditada e a mais fecunda em virtudes heróicas.





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