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Capítulo 1: Hop-Frog

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O seu valor era triplo aos olhos do rei, porque era também anão e aleijado. Os anões eram tão vulgares na corte como os bobos nessa época; e vários monarcas achariam os dias bem longos (OS dias são mais longos nas cortes que nos outros sítios) se não tivessem um bobo que os fizesse rir ou um anão de quem se pudessem rir. Mas, como já fiz notar, em noventa e nove por cento dos casos, estes bobos são gordos, rotundos e maciços - de modo que era para o nosso rei uma vasta fonte de orgulho o facto de possuir em Hop-Frog (Hop=saltitar; Frog=rã)- tal era o nome do bobo - um triplo tesouro numa só pessoa.

Julgo que o nome Hop-Frog não lhe fora dado pelos padrinhos de baptismo, mas sim por acordo unânime dos sete ministros devido ao facto de ele não andar como os outros homens'. A verdade é que Hop- Frog se deslocava de uma forma interjeccional- um jeito entre um saltinho e uma torsão -, um movimento que era para o rei uma diversão constante e naturalmente uma consolação; porque, apesar da protuberância do estômago e de um inchaço constitucional da cabeça, o rei era considerado por toda a corte como sendo um belo homem.

Mas embora Hop-Frog, devido à distorção da suas pernas, tivesse grandes dificuldades a deslocar-se num caminho ou num soalho, a prodigiosa força muscular com que a natureza dotara os seus braços, como para compensar a imperfeição dos membros inferiores, permitia-lhe demonstrar uma habilidade espantosa quando se tratava de árvores ou cordas ou qualquer outro aparelho onde se pudesse trepar. E nesses exercícios parecia-se mais com um esquilo ou um macaco que com uma rã.

Não posso dizer com precisão qual o país de origem de Hop-Frog, Vinha sem dúvida de qualquer região bárbara de que ninguém nunca ouvira falar - muito distante da corte do nosso rei.

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Hop-Frog 1
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