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Capítulo 1: A morte de Inês de Castro

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A morte de Inês de Castro

A Ulina

Da miseranda Inês o caso triste,

Nos tristes sons que a magoa desafina,

Envia o terno Elmano á terna Ulina,

Em cujos olhos seu prazer consiste.

Paixão que se a sentir não lhe resiste

Nem nos brutos certões Alma ferina,

Beleza funestou quasi divina,

De que a memória em lágrimas existe.

Lê, suspira, meu Bem, vendo hum composto

De raras perfeições aniquilado

Por mãos do Crime, á Natureza oposto.

Tu és cópia de Inês, encanto amado,

Tu tens seu coração, tu tens seu rosto...

Ah! Defendam-te os Céus de ter seu Fado.


CANTATA

Longe do caro Esposo Inês formosa

Na margem do Mondego,

As amorosas faces aljofrava

De mavioso pranto.

Os melindrosos, cândidos penhores

Do Tálamo furtivo,

Os Filhinhos gentis, imagem dela,

No regaço da Mãe serenos gozam

O sono da Inocência.

Coro subtil de alígeros Favónios,

Que os ares embrandece,

Ora enlevado afaga

Com as plumas azuis o Par mimoso,

Ora, solto, inquieto

Em leda travessura, em doce brinco,

Pela Amante saudosa,

Pelos tenros Meninos se reparte,

E com ténue murmúrio vai prender-se

Das áureas tranças nos anéis brilhantes.

Primavera louçã, Quadra macia

Da ternura, e das flores,

Que á bela Natureza o seio esmaltas,

Que no prazer de Amor ao Mundo apuras

O prazer da existência,

Tu de Inês lacrimosa

As mágoas não distrais com teus encantos.

Debalde o Rouxinol, cantor de amores,

Nos versos naturais os sons varia,

O límpido Mondego em vão serpeia

C'um benigno sussurro, entre boninas

De lustroso matiz, almo perfume;

Em vão se doira o Sol de luz mais viva,

Os Céus de mais pureza em vão se adornam

Por divertir-te, ó Castro:

Objectos de alegria Amor enjoam

Se Amor é desgraçado.

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