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Capítulo 1: Capítulo 1

Página 3

- Bom, talvez possa arriscar-me a dizer-lhes que o papel dá a quem o possui um certo poder numa certa área em que esse poder é imensamente valioso. - O prefeito adorava a gíria da diplomacia.

- Continuo a não perceber - disse Dupin.

- Não? Bem, a revelação do documento a uma terceira pessoa, de quem não direi o nome, porá em causa a honra de uma pessoa da mais alta posição; e este facto dá ao possuidor do documento um ascendente sobre a ilustre personagem cuja honra e paz estão assim em perigo.

- Mas tal ascendente - interrompi eu - depende de o ladrão saber que a pessoa roubada sabe quem é o ladrão. Quem se atreveria?

- O ladrão - disse G... - é o ministro D..., que se atreve a tudo o que é digno de um homem, assim como ao que é indigno. O método do roubo foi tão engenhoso como atrevido. O documento em questão, uma carta, para falar com franqueza, foi recebida pela pessoa roubada quando esta se encontrava sozinha no boudoir real. Enquanto a lia foi interrompida subitamente pela entrada da outra ilustre personagem de quem desejava particularmente esconder a carta. Após ter tentado, apressadamente e em vão, guardá-la numa gaveta, viu-se obrigada a pousá-la, aberta como estava, sobre a mesa. Contudo a direcção estava voltada para cima e como o seu conteúdo não estava à vista a carta passou despercebida. Foi neste momento que entrou o ministro D... O seu olho de lince repara imediatamente no papel, reconhece a letra e adivinha qual é o segredo. Depois de tratar de alguns assuntos de negócios, apressadamente como é seu costume, rapa de uma carta de certo modo semelhante à que está em causa e coloca-a junto dessa. Volta a conversar, durante cerca de quinze minutos, dos assuntos públicos. E finalmente, ao despedir-se, leva da mesa a carta à qual não tem qualquer direito. A legítima proprietária viu o gesto, mas é claro que não se atreveu a chamar a atenção para o acto em presença da terceira personagem que estava mesmo a seu lado. O ministro saiu deixando a carta que trouxera, e que não tinha qualquer importância, em cima da mesa.

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Capa do livro A Carta Roubada
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