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Capítulo 8: VIII

Página 27
VIII

Acenando com uma grande bandeira de seda, Hildegarde saudou-o no alpendre e ele, ao mesmo tempo que a beijava, sentiu, com um baque no coração, que aqueles três anos tinham cobrado o seu tributo. Ela era agora uma mulher de quarenta anos, com uma leve e tímida linha de cabelos grisalhos na cabeça. Tal visão deprimiu-o.

No andar de cima, no quarto, viu a sua própria imagem reflectida no espelho familiar. Aproximou-se mais e examinou, ansioso, o próprio rosto, comparando-o, decorrido um momento, com uma fotografia sua, fardado, tirada imediatamente antes da guerra.

- Santo Deus! - exclamou, em voz alta.

O processo continuava. Não restava dúvida alguma: parecia agora um homem de trinta anos. Em vez de encantado, sentiu-se inquieto: ele estava a tornar-se mais novo. Até então esperara que, uma vez atingida uma idade física equivalente à sua idade cronológica, o grotesco fenómeno que assinalara o seu nascimento deixaria de funcionar. Estremeceu, arrepiado. O seu destino parecia-lhe assustador, incrível.

Quando desceu, Hildegarde esperava-o.

Parecia irritada e ele perguntou-se se teria descoberto, finalmente, que havia alguma coisa errada. Foi num esforço para aliviar a tensão entre ambos que tocou no assunto, ao jantar, de um modo que considerou delicado.

- Bem - comentou, em tom ligeiro -, toda a gente diz que pareço mais novo do que nunca.

Hildegarde fitou-o com desdém. E fungou. - Achas que é motivo para gabarolice?

- Não estou a gabar-me - afirmou ele, muito pouco à vontade.

Hildegarde fungou de novo.

- Que ideia! - exclamou e, passado um momento, acrescentou: - Achava que terias dignidade suficiente para acabar com isso.

- Como posso fazê-lo?

- Não vou discutir contigo.

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Páginas: 38
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Os capítulos deste livro:
I 1
II 7
III 10
IV 15
V 18
VI 22
VII 24
VIII 27
IX 30
X 33
XI 36
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