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Capítulo 2: I

Página 7

Aqui não se trata da história de um casamento. Comigo, o caso não foi tão mau. A minha acção precipitada tal como se deu teve mais o aspecto de um divórcio... - quase de um abandono do domicílio conjugal. Sem razão alguma, susceptível de ser detectada por qualquer pessoa minimamente sensata, deixei o meu emprego -lancei borda fora o meu lugar no barco - desembarquei do navio, do qual a maior razão de queixa que eu podia ter seria apenas a de verificar que se tratava de um barco a vapor e que, por consequência, talvez fosse indigno da minha cega fidelidade... Mas para nada serve tentar dar brilho àquilo que, mesmo nessa altura, bem suspeitei que não passaria de um capricho.

Foi num porto do Oriente. A embarcação era um navio do Oriente, e aquele porto era, de facto, o seu porto de armamento. Operava a sua rota comercial entre as ilhas sombrias de um mar azul cheio de cicatrizes de recifes rochosos, trazendo a bandeira de comércio inglesa na grinalda da popa e uma bandeira distintiva da casa no galope do mastro, também vermelha, mas debruada a verde e com um crescente branco ao meio. A verdade é que o seu proprietário era árabe, e mais precisamente um Saide. Daí a cor verde da bandeira. Tratava-se do chefe de uma considerável Casa dos Estreitos Arábicos, e ao' mesmo tempo de um súbdito fiel do muito complexo Império Britânico, como outros se encontram para esses lados a leste do canal de Suez. A política mundial não lhe causava a menor preocupação, embora dispusesse, entre os do seu povo, de um enorme poder oculto.

Para nós era ele simplesmente o dono do barco. Via-se obrigado a empregar brancos na fracção dos seus negócios ligada à navegação e assim muitos dos que estavam ao seu serviço nunca chegavam a pôr-lhe a vista em cima, do primeiro ao último dia de trabalho.

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Capa do livro A Linha de Sombra
Páginas: 155
Página atual: 7

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Nota do autor 1
I 6
II 42
II 43
III 64
IV 90
V 106
VI 129
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