OBSERVANDO A DESCIDA constante do barómetro o capitão MacWhirr pensou: «Vamos apanhar um bocado' de mau tempo»; foi precisamente isto que ele pensou. Ele tinha experimentado situações de moderadamente mau tempo - o adjectivo mau aplicado ao tempo implicando apenas um moderado desconforto para o marinheiro. Tivesse ele sido informado por uma autoridade indiscutível de que o fim do mundo ia finalmente cumprir-se sob a forma de uma perturbação catastrófica da atmosfera, teria assimilado a informação dentro da simples ideia de mau tempo, e não outra, porque não tinha experiência de cataclismos e a crença não implica necessariamente compreensão. A sabedoria do seu país decretara através de uma lei do Parlamento que antes de ele poder ser considerado apto a comandar um navio devia ser capaz de responder a algumas perguntas simples a respeito de tempestades circulares tais como furacões, ciclones, tufões; e era manifesto que ele lhes respondera, visto encontrar-se agora no comando do Nan-Shan nos mares da China durante a estação dos tufões.
Mas se ele respondera não se lembrava já absolutamente nada dessa matéria. Tinha, contudo, consciência de começar a sentir-se incomodado com o calor pegajoso. Saiu para a ponte e não sentiu qualquer alívio para essa opressão. O ar parecia espesso. Ele arquejava como um peixe e começava a acreditar que estava muito maldisposto.
O Nan-Shan estava a cavar um sulco evanescente sobre a circunferência do mar, que tinha a superfície e o reflexo prateado de uma peça de seda cinzenta a ondular. O Sol, pálido e sem raios, derramava um calor de chumbo numa luz estranhamente indecisa, e os chineses jaziam prostrados nas cobertas. As suas faces exangues, contraídas, amarelas, eram como as faces de doentes biliosos.