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Capítulo 3: III

Página 37
III

JUKES ERA UM homem tão capaz como qualquer dessa meia dúzia de oficiais de marinha que se podem apanhar lançando uma rede ao mar; e embora tivesse ficado um tanto surpreendido com a espantosa violência da primeira rajada de vento, tinha-se dominado imediatamente, chamara os marinheiros e mandara-os logo vedar todas as aberturas no tombadilho que não tivessem já sido hermeticamente fechadas durante a tarde. Gritando na sua voz jovem, estentórea, «Vamos rapazes, dêem uma ajuda!», dirigiu o trabalho, dizendo ao mesmo tempo para consigo que «já estava à espera disto».

Mas ao mesmo tempo ia tomando consciência de que isto era afinal muito mais do que tudo aquilo que ele esperara. Desde a primeira lufada de ar recebida na face a ventania parecia ir adquirindo o ímpeto acumulado de uma avalancha. Pesadas surridas envolviam o Nan-Shan da proa à popa, e imediatamente no meio do seu balanço regular ele começou a sacudir-se e a mergulhar como se tivesse enlouquecido de medo.

«Isto não é brincadeira nenhuma», pensou Jukes.

Enquanto ele e o capitão se explicavam aos gritos, um súbito abaixamento da escuridão desceu sobre a noite, caindo diante dos olhos deles como algo de palpável. Era como se as luzes escondidas do mundo se tivessem apagado. Jukes sentia-se sem dar por isso feliz por ter o capitão ao seu lado. Aquilo aliviava-o como se o outro lhe tivesse, pelo simples facto de aparecer no convés, tirado a maior parte do peso da tempestade de cima dos ombros. É esse o prestígio, o privilégio e o fardo do comando.

O capitão MacWhirr não podia esperar qualquer espécie de auxílio de quem quer que fosse neste mundo. É essa a solidão do comando. Ele estava a tentar ver, com aquela maneira vigilante de um marinheiro que fita o vento como se fossem os olhos de um adversário, para penetrar a sua intenção oculta e calcular a direcção e a força do ataque.

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Capa do livro Tufão
Páginas: 103
Página atual: 37

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 18
III 37
IV 49
V 72
VI 91
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