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Capítulo 1: Trova Primeira

Página 3

E, erguendo os olhos para a dama, que sorria com ternura, exclamou:

Seja assim: está dito. Vá, com seiscentos diabos.

E, levando a bela dama nos braços, cavalgou na mula em que viera montado.

Só quando, à noite, no seu castelo, pôde considerar miudamente as formas nuas da airosa dama, notou que tinha os pés forcados como os de cabra.

III

Dirá agora alguém: "Era, por certo, o demônio que entrou em casa de D. Diogo Lopes. O que lá não iria!" Pois sabei que não ia nada.

Por anos, a dama e o cavaleiro viveram em boa paz e união. Dois argumentos vivos havia disso: Inigo Guerra e Dona Sol, enlevo ambos de seu pai.

Um dia de tarde, D. Diogo voltou de montear: trazia um javali grande, muito grande. A mesa estava posta. Mandou conduzi-lo ao aposento onde comia, para se regalar de ver a excelente preia que havia preado.

Seu filho assentou-se ao pé dele: ao pé da mãe Dona Sol; e começaram alegremente seu jantar.

Boa montaria, D. Diogo ¬ dizia sua mulher. ¬ Foi uma boa e limpa caçada. Pelas tripas de Judas! ¬ respondeu o barão. Que há cinco anos não colho urso ou porco montês que este valha!

Depois, enchendo de vinho o seu corbel de prata mui rico e lavrado, virou-o de golpe à saúde de todos os ricos-homens fragueiros e montadores.

E a comer e a beber durou até a noite o jantar.

IV

Ora deveis de saber que o senhor de Biscaia tinha um alão a quem muito queria, raivoso no travar das feras, manso com seu dono e, até, com os servos da casa.

A nobre mulher de D. Diogo tinha uma podenga preta como azeviche, esperta e ligeira que mais não havia dizer, e dela não menos prezada.

O alão estava gravemente assentado no chão defronte de D.

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Capa do livro A Dama Pé-de-Cabra
Páginas: 27
Página atual: 3

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Trova Primeira 1
Trova Segunda 6
Trova Terceira 16
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