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Capítulo 6: VI

Página 28
Não há na terra mais gloriosa missão.

Carlos, portanto, sentiu-se feliz deste orgulho santo que enobrece a consciência do homem que recebe o privilégio de uma confidência. Esta mulher, dizia ele, é para mim um ente quase fantástico. Alívios quais são os que eu posso dar-lhe?... Nem ao menos escrever-lhe!... E ela... Em que fará consistir o seu prazer?! Deus o sabe! Quem pode explicar, e mesmo explicar-se a singularidade de um proceder, às vezes, inconcebível?

**********

No correio próximo, recebeu Carlos a segunda carta de Henriqueta:

“Que imaginaste, Carlos, depois da leitura da minha carta? Adivinhaste o resto, com presteza natural. Recordaste mil aventuras deste género, e amoldaste a minha história às legítimas consequências de todas as aventuras. Julgaste-me abandonada pelo homem com quem fugira, e chamaste a isto, talvez, uma dedução contida nos princípios.

» Pensaste bem, amigo, a lógica da desgraça é essa, e o contrário dos teus juízos é o que se chama sofisma, porque eu estou em pensar que a virtude é o absurdo da lógica dos factos, é a heresia da religião das sociedades, é a aberração monstruosa das leis, que regem o destino do mundo. Achas-me metafísica de mais? Não te impacientes. A dor refugia-se nas abstracções, e encontra melhor pábulo na Loucura de Erasmo, que nas sisudas deduções de Montesquieu.

» Minha mãe estava reservada para uma grande provação! Amparou-a Deus naquele golpe, e permitiu-lhe uma energia que não era de esperar. Vasco de Seabra bateu às portas de todas as igrejas de Lisboa, para me apresentar, como sua mulher, ao cura da freguesia, e achou-as fechadas. Éramos perseguidos, e Vasco não contava com a sua superioridade sobre meu irmão, que lhe fizera certa e infalível a morte, onde quer que a fortuna lho deparasse.

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Capa do livro Coisas que só eu sei
Páginas: 51
Página atual: 28

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 7
III 12
IV 18
V 22
VI 27
VII 32
VIII 36
IX 40
X 46
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