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Capítulo 1: Capítulo 1

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Tratava-se, realmente, do nec plus ultra das belas pernas. Qualquer conhecedor de tais assuntos reconhecia serem umas esplêndidas pernas. Não possuindo carne a mais nem a menos, não aparentavam rudeza nem tão-pouco fragilidade. Não posso imaginar curva mais graciosa que a do os femoris, e havia apenas aquela suave proeminência na parte posterior da fíbula que condiz com a conformação de uma barriga da perna bem proporcionada. Quisera, por Deus, que o meu jovem e talentoso amigo Chiponchipino, o escultor, tivesse ao menos visto as pernas do brigadeiro por distinção John A. B. C. Smith.

Mas, embora homens tão absolutamente elegantes sejam agulha em palheiro, ainda assim eu não conseguia induzir-me a crer que o algo de notduel que há pouco referi - aquele estranho ar de je ne sais quoi que havia no meu recém-conhecido - residisse totalmente na suprema excelência dos seus dotes físicos, ou sequer a ela se devesse. Talvez pudesse descortinar-se a sua razão de ser na atitude; contudo, tão-pouco em relação a isso me arrogava qualquer certeza. Havia efectivamente um formalismo, para não dizer rigidez, no seu porte, um grau de precisão medida e, se assim me posso exprimir, rectangular, a acompanhar cada um dos seus movimentos, que, observados num homem de menores dimensões, teria um ligeiríssimo quê de afectação, pomposidade ou constrangimento, mas que, detectados num cavalheiro da sua indubitável estatura, logo se levavam à conta de reserva, de hauteur; em suma, de um louvável sentido do que é devido à dignidade das proporções magníficas.

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Capa do livro O Homem que Fora Consumido
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