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Capítulo 1: Os crimes da Rua Morgue

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Neste jogo, em que as peças são dotadas de movimentos diversos e esquisitos, representando valores vários e variáveis, confunde-se, (o que é um erro muito frequente) aquilo que é simplesmente complexo com algo de profundo. A atenção é aqui altamente solicitada. Da mínima distracção resulta o erro que infalivelmente leva à perda ou à derrota. Como os movimentos possíveis são não apenas inúmeros mas também imprevisíveis, as probabilidades de tais erros são múltiplas; e nove vezes em dez quem ganha a partida é o jogador mais atento, e não o mais brilhante. Nas damas, pelo contrário, em que os movimentos são simples e pouco variados, sendo as probabilidades de inadvertência muito menores e não sendo a atenção solicitada com tanta energia, todas as vantagens alcançadas pelos jogadores representam uma argúcia superior. Menos abstractamente: suponhamos um jogo em que as pedras estão reduzidas a quatro damas e o são, pois, pouco prováveis os lances inesperados. É óbvio que a vitória pode decidir-se (os jogadores estão em igualdade de circunstâncias) por uma táctica hábil, resultado de um poderoso esforço intelectual. Privado dos recursos vulgares, o analista projecta-se no espírito do seu opositor identifica-se com ele e muitas vezes descobre num relance o único meio (por vezes absurdamente simples) com que o pode induzir em erro ou levar a um cálculo ilusório.

Já há muito que se fala na influência do whist sobre a faculdade do cálculo; e sabe-se de homens de inteligência superior que muito se deliciaram com o whist, considerando o xadrez um jogo frívolo. E não há dúvida de que não há nada do género que tanto exercite a faculdade de análise O melhor jogador de xadrez da cristandade pouco mais será que o um jogador de xadrez; mas o domínio do whist implica a capacidade de êxito em todos os empreendimentos bem mais importantes em que o espírito luta com o espírito.

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Capa do livro Os Crimes da Rua Morgue
Páginas: 42
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Os capítulos deste livro:
Os crimes da Rua Morgue 1
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