Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 1: O PRIMEIRO DE MAIO

Página 1
O PRIMEIRO DE MAIO

A guerra terminara e fora ganha, e na grande cidade dos vencedores, toda garrida com flores brancas, vermelhas e cor-de-rosa atiradas das janelas, arcos triunfais cruzavam as ruas. Ao longo de toda a Primavera, soldados recém-chegados marchavam pela rua principal seguindo o rufar dos tambores e o som alegre e vibrante dos instrumentos de sopro, enquanto comerciantes e caixeiros deixavam os seus problemas e as suas contas para assomarem em magotes às janelas, voltando os rostos graves e pálidos para os batalhões que passavam.

Nunca na grande cidade houvera tamanho esplendor, pois que a vitória trouxera atrás de si muitas coisas, e de longe, do sul e do ocidente, tinham vindo comerciantes com as suas famílias para experimentarem o gosto dos grandes festejos e participarem nos muitos divertimentos preparados - e para comprarem para as suas mulheres peles contra o frio do Inverno que viria, e bolsas de malha dourada e sapatos de seda de muitas cores e de cetim prateado e rosa, e tecidos ricos.

A paz e a prosperidade esperadas eram celebradas tão ruidosa e alegremente pelos escribas e pelos poetas dos vencedores, que surgiam da província cada vez mais compradores para beberem o vinho da emoção, e cada vez mais depressa os vendedores esgotavam os adereços e os sapatos, reclamando em altos brados mais adereços e mais sapatos para poderem dar satisfação ao que lhes pediam. Alguns chegavam mesmo a agitar as mãos no ar, gritando impotentes:

«Ai de mim, que não tenho mais sapatos! e ai de mim que não tenho mais enfeites! Valha-me Deus, que não sei o que hei-de fazer!»

Mas ninguém escutava o seu clamor, pois que as gentes estavam demasiado ocupadas - dia após dia, soldados de infantaria passeavam desenvoltos pelas ruas principais e todos exultavam, porque os jovens recém-chegados eram puros e valentes, tinham dentes sãos e faces rosadas, e as raparigas da terra eram virgens e bonitas, tanto de cara como de figura.

<< Sinopse

pág. 1 (Capítulo 1)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro A Década Perdida
Páginas: 182
Página atual: 1

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
O PRIMEIRO DE MAIO 1
O DIAMANTE DO TAMANHO DO RITZ 60
O MENINO RICO 108
A ABSOLVIÇÃO 154
TRÊS HORAS ENTRE DOIS AVIÕES 172
A DÉCADA PERDIDA 179
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site