- Oh, sonho meu! Meu sonho absoluto!
- Sim - admitiu calmamente a criança. - A tia Jordan também tem um vestido branco.
- Gostas dos amigos da mãe? - Daisy fê-la dar meia volta, até ficar de frente para Gatsby. - Achas que são bonitos?
- Onde está o papá?
- Não se parece nada com o pai - explicou Daisy. - Parece-se é comigo. Tem o meu cabelo e a forma do meu rosto.
Daisy reclinou-se no sofá. A ama avançou um passo e estendeu-lhe a mão: - Vamos, Pammy.
- Adeus, minha querida!
Com um relutante relance de olhos à retaguarda, a disciplinada criança pegou na mão da ama e deixou-se levar porta fora, no mesmo momento em que Tom voltava com quatro gin ricleeys, a tilintar cheios de gelo.
Gatsby tirou um dos copos.
- Têm ar de estar bem frescos! - disse em visível tensão.
Bebemo-los em longos e sôfregos tragos.
- Li em qualquer parte que, de ano para ano, o Sol vai aquecendo! - disse Tom amavelmente. - Parece que muito em breve a Terra vai embater no Sol... Não, esperem aí... É exactamente o contrário... O Sol é que, de ano para ano, vai arrefecendo.
- Venha até lá fora! - sugeriu ele a Gatsby. - Gostaria que desse uma vista de olhos a isto.
Acompanhei-os até à varanda. No verde Sound, que parecia estagnado ao sol, uma pequena vela rastejava lentamente em direcção ao alto mar, mais fresco. Gatsby seguiu-a momentaneamente com o olhar; levantou a mão e apontou para o outro lado da baía:
- Moro mesmo em frente a vocês.
- É verdade.
Erguemos os olhos acima dos canteiros de rosas, do relvado escaldante e dos resíduos de algas secas da canícula, ao longo da praia. As asas brancas do barco moviam-se devagar sobre a linha azul e fria do horizonte. Adiante estendia-se o oceano encrespado e as abençoadas ilhas da abundância.