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Capítulo 3: Capítulo 3

Página 44

Hoje, o dia esteve triste, chuvoso, sem luz, como a minha futura velhice. Fui assediado por estranhos pensamentos; sentimentos turvas, questões ainda obscuras para mim, comprimiam-se dentro do meu cérebro, sem que eu tivesse força ou vontade para as solucionar. Não, não seria eu quem poderia resolver tudo isso!

Hoje não nos veremos. Ontem, quando nos deixámos, as nuvens espalhavam-se no céu e o nevoeiro adensava-se. Disse que o dia seria mau; ela não respondeu, pois não queria falar contra si própria: para ela, este dia é luminoso e claro e nenhuma nuvem poderá eclipsar a sua felicidade.

«Caso chova, não nos veremos», dissera ela, «não virei.»

Pensei que ela não iria notar a chuva de hoje, mas, no entanto, não veio.

Ontem foi o nosso terceiro encontro, a nossa terceira noite branca.

Ainda assim, como a alegria e a felicidade tornam belas as pessoas! Como o amor enche o coração! Quando nos sentimos felizes, parece-nos que o coração nos vai transbordar para o coração do ente amado. Queremos que todos estejam alegres, que todos se riam. E como é contagiosa, esta alegria! Ontem exprimia-se nas suas palavras a ternura e a bondade que, em relação a mim, existiam no seu coração... Como ela se preocupava comigo, como me acariciava, como encorajava o meu corac,áo! Oh, quanta garridice a felicidade inspira! E eu... tomava tudo como coisa segura, fui ao ponto de pensar que ela...

Mas, Deus meu, como posso ter acreditado em tal coisa? Como posso ter sido tão cego que não vi que nenhum daqueles tesouros me era destinado e que, afinal, aquela ternura, aquela solicitude, aquele amor... sim, o seu amor por mim, nada era, em suma, mais do que a alegria, que se antevia próxima, de ir estar com um outro e, por outro lado, o desejo de impor, a mim também, a sua felicidade...

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Capa do livro Noites Brancas
Páginas: 67
Página atual: 44

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 14
Capítulo 3 44
Capítulo 4 52
Capítulo 5 65
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