Primaveras Românticas - Cap. 3: Pepa Pág. 33 / 118

Empresta-me a voz ingénua
Para eu com ela orar
A oração de meus cantos
De teu seio no altar!

 

Empresta-me os pés, gazela,
Para que eu possa correr
O vasto mundo que se abre
Num teu rir, num teu dizer!

 

Presta-me a tua inocência,
Para eu ir ao céu voar...
Mas acende cá teus olhos
Para que eu possa voltar!

 

Por Deus to peço, senhora,
Que tu mo queiras fazer;
Dá-me os cílios de teus olhos
Para eu adormecer;

 

Por que, enquanto os tens abertos,
Sempre para aqui a olhar,
Não posso fechar os meus,
E sempre estou a acordar!

 

Pela Santa-Virgem peço
Que tu me queiras sorrir;
Porque eu tenho um lírio d'oiro
Há três anos por abrir,

 

E, se lhe deres um riso,
Há-de cuidar que é a aurora…
E talvez que o lírio se abra,
Talvez que se abra nessa hora!

 





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