Tufão - Cap. 6: VI Pág. 96 / 103

Também o primeiro-maquinista não voltava por enquanto para casa. Demasiado bem conhecia o senhor Rout o valor de um bom emprego.

- O Salomão diz que as maravilhas nunca mais acabam - gritou a senhora Rout jovialmente para uma velhota sentada numa cadeira de braços junto do fogo. A mãe do senhor Rout mexeu ligeiramente sobre o colo as mãos calçadas com mitenes pretas.

Os olhos da mulher do maquinista dir-se-ia dançarem sobre o papel.

- O capitão do navio onde ele anda (um homem bastante simples, a mãe lembra-se") fez uma coisa muito inteligente, diz o Salomão.

- Sim, minha querida - disse a velhota numa voz débil, sentada com a cabeça de prata inclinada, e aquele ar de quietude interior característico das pessoas muito idosas que parecem perdidas a contemplar as últimas centelhas de vida. - Creio que me lembro.

Salomão Rout, o Velho Sol, o Tio Sol, o Chefe - «Rout, um homem competente» -, o senhor Rout, o condescendente e paternal amigo da juventude, tinha sido o mais novo dos seus muitos filhos - todos mortos agora. E a mãe lembrava-se dele melhor como um rapazinho de dez anos - muito antes de ele ter partido de casa para ir fazer o seu aprendizado em qualquer grande fábrica de construção de máquinas do Norte. Depois disso tinha-o visto tão pouco, tinham passado tantos anos, que ela tinha agora de voltar muito atrás para reconhecê-lo claramente na bruma do tempo. Às vezes parecia-lhe que a nora lhe estava a falar de um homem desconhecido.

A senhora Rout mais nova estava desapontada. «H'm. H'm.» Voltou a página. «Que irritante! Ele não diz o que foi. Diz que eu não seria capaz de compreender toda a extensão do que se passou. É boa! Que teria sido essa coisa tão inteligente que o capitão fez? Acho que é uma grande maldade ele não nos contar.





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