A Última Aventura de Sherlock Holmes - Cap. 8: A AVENTURA DO PÉ DO DIABO Pág. 183 / 210

Nunca pensei que o efeito fosse tão rápido e profundo. - Correu ao interior da casa e reapareceu com o candeeiro aceso bem afastado do corpo, e lançou-o num silvado. - Temos de deixar os vapores saírem do quarto. Espero, Watson que não tenha agora nenhuma dúvida quanto ao modo como as tragédias foram provocadas!

- Nenhuma!

- Mas a causa permanece obscura. Vamos aqui para o caramanchão conversar. Parece que ainda tenho a maldita droga na garganta. Todas as provas. apontam, penso que é irrecusável, para que Mortimer Tregennis tenha sido o criminoso na tragédia, embora haja sido a vítima da segunda. Não devemos esquecer, em primeiro lugar, que há uma história de disputa familiar, seguida de reconciliação. Não sabemos qual a gravidade da disputa nem qual a solidez da reconciliação. Quando penso em Mortimer Tregennis, com a sua cara de raposa, os olhinhos sagazes reluzentes, por trás dos óculos, não vejo um homem capaz de grandes perdões. A seguir lembra-se certamente de que a ideia de alguém a mover-se no jardim, que desviou por um momento a nossa atenção da verdadeira causa da tragédia, proveio dele. Tregennis tinha um motivo para nos despistar. Por fim, se não foi ele quem deitou esta substância no lume antes de sair da sala, quem foi? Tudo aconteceu imediatamente após a sua partida. Se alguém tivesse entrado depois, a família decerto se teria levantado da mesa. Por outro lado, na pacífica Cornualha as visitas não chegam depois das dez da noite. Podemos, pois, considerar que tudo aponta para Mortimer Tregennis como culpado.

- Então suicidou-se!

- Bem, Watson, não é uma suposição impossível. O homem que traz na alma a culpa de ter propiciado tal destino à sua própria família pode muito bem ser levado pelo remorso a escolher a mesma sorte.





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