A Última Aventura de Sherlock Holmes - Cap. 3: A AVENTURA DA CAIXA DE CARTÃO Pág. 62 / 210

Ultrapassei-o e desferi-lhe com a maca um golpe que lhe esmagou a cabeça como a um ovo. Apesar de todo o meu desvario, talvez a tivesse poupado, mas ela rodeou-o com os braços, a chamar por ele. ‘Alec!’ Desferi outro golpe e Mary caiu ao lado de Fairbairn. Eu sentia-me um animal feroz que tivesse acabado de provar sangue. Estivesse ali Sarah e teria tido, juro-o por Deus, a mesma sorte. Empunhei a faca e... Pronto, já disse o bastante. Invadiu-me uma espécie de alegria selvagem quando pensei na reacção de Sarah ao receber o resultado das suas alcovitices. Atei depois os corpos ao barco, arrombei uma tábua e esperei que se afundassem. Sabia muito bem que o proprietário pensaria que se tinham perdido no nevoeiro e avançado à deriva para o mar alto. Limpei-me, voltei para terra e tornei ao barco sem que ninguém suspeitasse do que acontecera. Nessa noite, fiz o embrulho para Sarah Cushing e no dia seguinte enviei-o de Belfast.

»Aqui tem toda verdade. Podem enforcar-me, fazer o que quiserem comigo, mas não me podem castigar como já fui castigado. Não consigo fechar os olhos sem ver os dois rostos a fitarem-me... a fitarem-me quando o meu barco rompeu o nevoeiro. Matei-os depressa; eles matam-me lentamente. Se tenho outra noite assim, endoideço ou morro antes do amanhecer. Não me vai fechar sozinho numa cela pois não sir? Por amor de Deus não o faça; e que na agonia o tratem como a mim agora.»

- Que significa Isto, Watson? - perguntou Holmes solenemente; ao pousar o papel. - Qual o objectivo deste círculo de tragédia e violência e medo? Deve tender para algum fim, ou o nosso universo e governado pelo acaso, o que é impensável. Mas que fim? Eis o grande e eterno problema de cuja resposta a razão humana está tão longe como sempre esteve.





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