A Vida Amorosa de Moll Flanders - Cap. 2: A vida amorosa de Moll Flanders Pág. 15 / 359

Mas a bondade das senhoras da cidade não terminou aí; quando souberam que deixara de beneficiar do subsídio público que até então me fora concedido, passaram a dar-me dinheiro com mais frequência e, à medida que crescia, a confiar-me trabalhos, como roupas brancas para fazer, rendas para remendar e toucados para enfeitar, e não só me pagavam o trabalho, como também me ensinavam a fazê-lo. Era agora uma fidalga autêntica, segundo o significado que dava à palavra e como desejava ser; com 12 anos vestia-me e pagava à minha ama o meu sustento e tinha, além disso, dinheiro meu.

As senhoras davam-me também, muitas vezes, roupas suas ou das filhas - umas davam-me meias, outras, anáguas, outras ainda, vestidos - e a minha velha ama ajustava-as ao meu corpo, como uma verdadeira mãe, e ensinava-me a remendá-las, a transformá-las e a tirar delas o melhor partido possível, pois era uma excelente dona de casa.

Por fim, uma das senhoras tornou-se tão minha amiga que quis levar-me um mês para sua casa, a fim de fazer companhia às filhas.

Embora este desejo fosse de uma grande generosidade, a minha velha ama disse-lhe que, a não ser que tencionasse ficar comigo para sempre, faria à fidalguinha mais mal que bem.

- Bem - disse a senhora -, isso é verdade. Portanto levá-la-ei apenas por uma semana, para ver como as minhas filhas e ela se entendem e se gosto do seu temperamento, e depois dir-lhe-ei mais alguma coisa. Entretanto, se vier alguém visitá-la, como é costume, diga apenas que a mandou a minha casa.

Foi uma decisão prudente, e lá fui para casa da senhora. Mas entendi-me tão bem com as meninas e elas comigo que me custou muito deixá-las, tanto quanto a elas separarem-se de mim.

No entanto, regressei e vivi quase mais um ano com a minha boa e velha ama, à qual começava agora a ser muito útil.





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