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Capítulo 4: IV

Página 156
IV

Consagrou o domingo ao mistério da Santíssima Trindade, a segunda-feira ao Espírito Santo, a terça aos Anjos da Guarda, a quarta a São José, a quinta ao Santíssimo Sacramento do Altar, a sexta à Paixão de Jesus Cristo, o sábado à Bem-Aventurada Virgem Maria.

Todas as manhãs se santificava de novo na presença de uma imagem santa ou de um mistério. O seu dia principiava com uma heróica dádiva de cada um dos seus momentos, de pensamentos ou obras, por intenção do soberano pontífice, e com uma missa matinal. O ar gelado da manhã estimulava a sua resoluta piedade; e, muitas vezes, ajoelhado entre os poucos fiéis junto do altar lateral, seguindo pelo seu livro de orações de folhas intervaladas o murmúrio do padre, erguia os olhos, por um momento, para a figura paramentada, de pé, entre as duas velas, que simbolizavam o Antigo e o Novo Testamento, e imaginava que estava a assistir a uma missa nas catacumbas.

A sua vida quotidiana estava compartimentada em áreas de devoção. Através de jaculatórias e de orações, acumulava, voluntariamente, para as almas do Purgatório, séculos de dias e quarentenas e anos; todavia, o triunfo espiritual que sentia ao alcançar tão facilmente tão fabulosos períodos de penitências canónicas não compensava inteiramente o seu zelo religioso, porque nunca poderia saber quanto tempo de castigo temporal tinha poupado, através do seu sufrágio, às almas agonizantes; e, receando que, no meio do fogo do Purgatório, que apenas diferia do Inferno por não ser eterno, a sua penitência não valesse mais do que uma gota de orvalho, arrastava diariamente a sua alma através de um círculo crescente de obras meritórias.

Cada parte do seu dia, dividido naquilo que ele agora considerava como deveres da sua passagem pela terra, girava em torno do seu próprio centro de energia espiritual.

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Capa do livro Retrato do Artista Quando Jovem
Páginas: 273
Página atual: 156

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 57
III 103
IV 156
V 186
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