A Última Aventura de Sherlock Holmes - Cap. 3: A AVENTURA DA CAIXA DE CARTÃO Pág. 43 / 210

A caixa é uma embalagem de meia libra de tabaco adoçado e também não nos ajuda. A teoria do estudante de medicina parece-me a mais aceitável, mas se o senhor tivesse algum tempo disponível gostaria muito de o ver. Estarei todo o dia em casa ou na esquadra.

» Que, me diz, Watson? Será capaz de vencer o calor e de me acompanhar a Croydon? Talvez seja um caso para os seus anais.

- Já estava farto de não fazer nada.

- Ora ainda bem! Peca as nossas botas e mande chamar um trem. Vou só tirar o roupão e encher a charuteira,

Íamos no comboio quando desabou uma chuvada; o calor era menos opressivo em Croydon do que na cidade. Holmes mandara um telegrama a Lestrade e este, nervoso, elegante e furão como sempre esperava-nos na estação. Cinco minutos a pé levaram-nos a Cross Street, onde Miss Cushing residia.

Era uma rua muito comprida, com casas de tijolo de dois andares, asseadas e pretensiosas, degraus de pedra limpíssimos e grupinhos de mulheres de avental, bisbilhotando às portas. Lestrade parou a meio e bateu a uma porta, que foi aberta por uma criadita. Miss Cushing estava sentada na sala da frente, na qual fomos introduzidos. Era uma mulher de rosto tranquilo, com olhos grandes e afáveis, e cabelo grisalho, acamado sobre as têmporas. Tinha no regaço uma cobertura bordada para costas de cadeira e a seu lado, num banco, um cesto de fitas de seda coloridas.

- Estão no alpendre, essas coisas horríveis - disse Miss Cushing quando Lestrade entrou. - Gostava que as levasse embora.

- Assim farei, Miss Cushing. Só as deixei ficar até Mr. Holmes as poder ver na sua presença.

- Porquê na minha presença, sir?

- Para o caso de ele querer fazer-lhe perguntas.





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