O Crime do Padre Amaro - Cap. 7: Capítulo 7 Pág. 103 / 478

E no entanto Brito, com grandes bafos de vinho, roncava:

- Eu só me contentava em agarrar num cajado e correr tudo! tudo! - e gesticulava com um gesto imenso que abrangia o mundo!

Tem as asas quebradas,

Não pode agora...

Gania atrás o Libaninho.

Mas pararam de repente: Natário adiante gritava com voz furiosa:

- Seu burro, você não vê? Sua besta!

Era à volta do atalho. Tropeçara com um velho que conduzia uma ovelha; ia caindo; e ameaçava-o com o punho fechado numa raiva avinhada.

- Queira vossa senhoria perdoar, dizia humildemente o homem.

- Sua besta! berrava Natário com os olhos chamejantes. Que o racho!

O homem balbuciava, tinha tirado o chapéu; viam-se os seus cabelos brancos; parecia ser um antigo criado da lavoura envelhecido no trabalho; era talvez avô - e curvado, vermelho de vergonha, encolhia-se com as sebes para deixar passar no estreito caminho de carros os senhores padres joviais e excitados da vinhaça!

Amaro não os quis acompanhar até à fazenda. Ao fim da aldeia, no cruzeiro, tomou pelo caminho de Sobros, voltou para Leiria.

- Olhe que é uma légua à cidade, dizia o abade. Eu mando-lhe aparelhar a égua, colega.

- Qual história, abade, a perninha é rija! - e, traçando alegremente a capa, partiu cantarolando o Adeus...

Ao pé da Cortegassa o atalho de Sobros alarga-se, ao comprido dum muro de quinta coberto de musgos e eriçada no alto de luzidios fundos de garrafas. Quando Amaro chegou próximo ao portão de carros, baixo e pintado de vermelho, encontrou no meio do caminho, parada, uma grande vaca malhada; Amaro divertido espicaçou-a com o guarda-chuva; a vaca trotou balouçando a papeira - e Amaro ao voltar-se viu Amélia, ao portão, que saudava, dizendo toda risonha:

- Então está-me a espantar o gado, senhor pároco?





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