A Década Perdida - Cap. 1: O PRIMEIRO DE MAIO Pág. 2 / 182

Assim, durante todo este tempo aconteceram muitas aventuras na grande cidade e, de entre elas, várias - ou talvez uma - são aqui relatadas.

I

Às nove horas da manhã do dia 1 de Maio de 1919, um jovem dirigiu-se ao empregado dos quartos do Hotel Biltmore, para perguntar se Mr. Philip Dean lá estava hospedado e, se estava, se poderiam ligar-lhe o telefone para os seus aposentos. O visitante usava um fato de bom corte mas coçado. Era pequeno, esguio, de um moreno bonito; os olhos eram emoldurados em cima por pestanas invulgarmente longas, e em baixo pelos semicírculos azulados da falta de saúde, sendo este segundo efeito realçado por um brilho artificial que lhe coloria as faces como uma febre baixa e constante.

Mr. Dean estava lá hospedado. O jovem foi encaminhado para um telefone ao lado.

Passado um segundo, estava feita a ligação; uma voz sonolenta respondeu lá de cima.

- Mr. Dean? - e depois com ansiedade: - Fala o Gordon, Phil. O Gordon Sterrett. Estou cá em baixo. Ouvi dizer que estavas em Nova lorque e palpitou-me que estavas aqui.

A voz sonolenta animou-se gradualmente. Ora então como passava o velho Gordon! Claro que ficara surpreendido e encantado! Que o Gordon subisse imediatamente, pelo amor de Deus!

Uns minutos depois Philip Dean, em pijama de seda azul, abriu a porta do quarto e os dois jovens cumprimentaram-se com uma exuberância um tanto constrangida. Ambos tinham cerca de vinte e quatro anos e tinham-se formado na Universidade de Yale no ano anterior à guerra; mas as semelhanças acabavam aí bruscamente. Dean era loiro, corado e robusto debaixo do pijama fino. Tudo nele irradiava saúde e bem-estar físico. Sorria frequentemente, mostrando dentes grandes e salientes.

- Ia procurar-te - exclamou com entusiasmo.





Os capítulos deste livro