O Livro da Selva - Cap. 2: A CAÇADA DE CÁ Pág. 44 / 158

- Não te mexas, irmãozinho, senão podes magoar-nos com os pés.

Máugli deixou-se ficar tão quieto quanto podia, espreitando pelas aberturas dos rendilhados e escutando o ruído furioso da luta em volta da pantera negra - os berros, tagarelices e brigas e a tosse funda, rouca, de Bàguirà, quando recuava ou se empinava e torcia, mergulhando sob os montes dos inimigos. Pela primeira vez, desde que nascera, Bàguirà lutava pela vida.

«Bálu deve estar perto, Bàguirà não teria vindo só», pensou Máugli. E a seguir bradou alto:

- Para o tanque, Bàguirà, rebola para os tanques de água, rebola e mergulha! Chega-te para a água!

Bàguirà ouviu; e o brado que lhe dizia que Máugli estava em segurança, deu-lhe nova coragem. Abriu caminho, palmo a palmo, desesperadamente, direita aos depósitos, desferindo golpes em silêncio. E então, da muralha em ruínas mais próxima da Selva, ergueu-se o grito de guerra trovejante de Bálu. O velho urso esforçara-se ao máximo, mas não pudera chegar mais cedo.

- Bàguirà - bradou -, estou aqui. Vou trepar! Não demoro! Àuuorra! Escorregam-me as pedras debaixo das patas. Esperai por mim, ó infames Bândarlougue!

Subiu arquejante para o terraço e desapareceu logo até à cabeça numa onda de macacos, mas ele sentou-se firmemente sobre o traseiro e, estendendo as patas dianteiras, abraçou quantos pôde e depois começou a martelar neles com um bate-bate regular, semelhante aos golpes cortantes de um rodízio. Um baque e um chape disseram a Máugli que Bàguirà abrira caminho até ao tanque, para onde os macacos a não podiam seguir. A pantera ficou arquejante a recuperar o fôlego, com a cabeça apenas fora da água, enquanto os macacos se erguiam nos degraus vermelhos, agitando-se de um lado para o outro, furiosos, prontos a saltar sobre ela de todos os lados, se saísse em auxílio de Bálu.





Os capítulos deste livro