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Capítulo 3: III - O Sarau

Página 18

O aspecto do burgo de Guimarães indicaria tudo menos um desses raros períodos de paz e repouso; de festas e pompas civis e religiosas, que, semelhantes aos raios do Sol por entre nuvens húmidas de noroeste, alegravam a Terra, sorrindo a espaços no meio das tempestades políticas que varriam, naquela época, o solo ensanguentado da Península. Como se houvera alargado um braço até então pendente, o castelo roqueiro tinha estendido do ângulo esquerdo da torre do miradouro uma comprida couraça de vigas e entulho que vinha morrer em um cubelo na orla exterior do burgo. Depois, da extremidade daquela muralha inclinada, do outeiro para a planura, corria a um e outro lado do baluarte uma tranqueira de pouca altura, donde facilmente besteiros e frecheiros poderiam despejar a salvo seu armazém em quaisquer inimigos que cometessem a povoação. O cubelo era como o punho cerrado do disforme braço que saía da torre alvarrã, e a tranqueira como uma faixa com a qual o gigante de pedra parecia tentar unir a si o burgo apinhado lá em baixo em volta do edifício monástico, que já contava dois séculos, o Mosteiro de D. Muma. O próprio edifício, posto que avelhentado e fraco, também parecia animado de espírito guerreiro; porque as ameias que coroavam o terrado do campanário, pouco antes cobertas de ervas e musgo, estavam agora limpas e gateadas de novo, ao passo que por entre elas se divisava uma grossa manganela assentada no meio do eirado em disposição de arrojar pedras para a campanha, que se dilatava diante do formidável engenho.

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Capa do livro O Bobo
Páginas: 191
Página atual: 18

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Introdução 1
II - Dom Bibas 8
III - O Sarau 18
IV - Receios e esperanças 27
V - A madrugada 38
VI - Como de um homenzinho se faz um homenzarão 45
VII - O homem do zorame 59
VIII - Reconciliação 66
IX - O desafio 80
X - Generosidade 90
XI - O subterrãneo 97
XII - A mensagem 110
XIII - A boa corda de cânave de quatro ramais 123
XIV - Amor e vingança 141
XV - Conclusão 157
Apêndice 173
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