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Capítulo 4: IV - Receios e esperanças

Página 27

Dom Bibas não era bobo; era o diabo. Logo veremos porquê. Convidámos o leitor para escutar a conversação travada entre Gonçalo Mendes, o abade beneditino e o mui reverendo cónego de Lamego, Martim Eicha. Pode ouvi-los agora. Embebidos no seu grave disputar, todos três se esqueceram completamente do lugar onde estavam, e do sarau, que depois do doudejar vívido e alegre ao redor deles esmorecia já e esfriava em paroxismo final. A noite correra sem que de tal dessem tino. Sobre o tumultuar dos passos, sobre o ruído do falar confuso, sobre as toadas dos instrumentos que afrouxam, ouve-se primeiro o vozear retumbante do Lidador; depois as palavras flautadas, escandidas, melifluamente hipócritas do capelão da infanta; e por último as falas brandas, tardas e suaves do beneditino. Esta gradação corresponde ao progresso de silêncio que principia a predominar na sala: é a medida do tédio que leva de vencida o deleite naquele ajuntamento lustroso. – ... Eis aí – dizia o Lidador voltando-se para Martim Eicha – o que eu havia previsto; eis aí o resultado final do desenfreado orgulho do senhor de Trava, e dessa desgraçada afeição da rainha. Depois do folgar pacífico em jogos de tavolado e saraus oferecem- -nos uma festa de sangue. – Mas quem sabe se essas novas são verdadeiras? – interrompeu o abade, que parecia olhar duvidoso para o honrado cónego de Lamego.

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Capa do livro O Bobo
Páginas: 191
Página atual: 27

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Introdução 1
II - Dom Bibas 8
III - O Sarau 18
IV - Receios e esperanças 27
V - A madrugada 38
VI - Como de um homenzinho se faz um homenzarão 45
VII - O homem do zorame 59
VIII - Reconciliação 66
IX - O desafio 80
X - Generosidade 90
XI - O subterrãneo 97
XII - A mensagem 110
XIII - A boa corda de cânave de quatro ramais 123
XIV - Amor e vingança 141
XV - Conclusão 157
Apêndice 173
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