Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 13: XII

Página 20
XII

Neste momento entrou um homem que redobrou o espanto. Era Pedro Leite, pai de João Leite.

Este homem fez sinal de querer falar. Atenderam-no todos com religioso respeito.

As suas palavras foram estas:

- Perdoo ao assassino de meu filho! O sangue desse homem cairá sobre a minha face! Matou defendendo-se dum agressor infame! Senhor juiz de fora, requeiro a suspensão da execução da sentença. Eu sou parte, e declaro inocente o réu!

Seguiram-se minutos duma estupefacção natural. Eulália voltou os olhos para o homem que falara, quis arrastar-se de joelhos aos pés dele; não pôde; a impressão devia matá-la, ou ressuscitá-la...desmaiou a meio caminho.

O juiz era o algoz moral criado pelo ouro, assim como o carrasco físico fora criado pela lei. Não podia eximir-se a pegar do cutelo, e seguir seu caminho.

- É tarde! - respondeu ele.

- Não é tarde! - replicou Pedro Leite, e continuou com solene exaltação: - Tarde, senhor juiz, é depois que o tribunal do mundo se fecha atrás daquele que vai entrar no tribunal de Deus! Tarde, é quando um juiz de entranhas ferozes se apresenta no banco dos réus condenados com a face borrifada de sangue inocente!

- Basta! - exclamou Paulo Botelho com autoridade.

- Pois sim... basta! Mas, abaixo de Deus, invoco o testemunho das pessoas que me escutam. Declaro que lavo as mãos deste sangue inocente que vai ser derramado!

O povo murmurou com acanhamento, com a consciência cobarde da sua nulidade, mas balbuciou não sei que palavras que irritaram o juiz.

- Não se trata só de punir o assassino de João Leite! - exclamou o juiz - Trata-se de castigar a afronta que recebeu um nobre, feita por um lacaio que ousou levantar olhos de mamente para sua filha!

- Não, não! - gritou Eulália, erguendo-se com ímpeto, com as mãos postas, e caindo outra vez sobre os joelhos.

<< Página Anterior

pág. 20 (Capítulo 13)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro Uma Praga Rogada nas Escadas da Forca
Páginas: 29
Página atual: 20

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Prefácio 1
I 2
II 3
III 4
IV 6
V 8
VI 9
VII 11
VIII 12
IX 14
X 17
XI 18
XII 20
XIII 22
XIV 23
XV 26
Conclusão 27
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site