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Capítulo 3: III

Página 104
Os expoentes que apareciam e desapareciam eram olhos que se abriam e se fechavam; os olhos que se abriam e se fechavam eram estrelas que nasciam e se apagavam. O amplo ciclo da vida estelar atraía o seu cérebro exausto ora exteriormente para o seu limite ora interiormente para o seu centro, enquanto uma música distante o acompanhava para dentro e para fora. Que música seria? A música aproximou-se e ele recordou-se da letra, das palavras do excerto de Shelley sobre a Lua que vagueava sem companhia, pálida de fadiga. As estrelas começaram a desfazer-se e uma nuvem de fina poeira estelar atravessou o espaço.

A luz sombria caiu mais vagamente sobre a página, onde outra equação começava a resolver-se e abria a sua cauda cada vez mais larga. Era a sua própria alma que partia à experiência, que se desdobrava, pecado a pecado, espalhando a fogueira das suas estrelas ardentes e dobrando-se sobre si própria, extinguindo-se lentamente, apagando as suas luzes e os seus fogos. Agora estavam apagados: e as frias trevas enchiam o caos.

Reinava na sua alma uma gélida e lúcida indiferença. Ao seu primeiro e violento pecado, tinha sentido sair de si mesmo uma onda de vitalidade e receara encontrar o seu corpo ou a sua alma mutilados pelo excesso. Em vez disso, a onda vital tinha-o transportado no seu seio para fora de si próprio e trouxera-o de volta, ao recuar; e parte alguma do seu corpo ou da sua alma havia sido mutilada, tinha-se antes estabelecido entre ambos uma paz obscura. O caos em que o seu ardor se extinguira era um conhecimento frio e indiferente de si mesmo. Tinha cometido. um pecado mortal, não uma mas muitas vezes, e sabia que, embora corresse o perigo da condenação eterna logo pelo primeiro, a cada pecado subsequente multiplicava a sua culpa e o seu castigo.

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Capa do livro Retrato do Artista Quando Jovem
Páginas: 273
Página atual: 104

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 57
III 103
IV 156
V 186
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