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Capítulo 2: II

Página 58
Agarrava numa mão-cheia de uvas com serradura ou em três ou quatro maçãs americanas e depositava-as generosamente nas mãos do seu sobrinho-neto, enquanto o lojista sorria contrafeito; e, quando Stephen se fingia relutante em aceitá-los, franzia o sobrolho e dizia:

- Fique com elas, senhor. Está a ouvir-me, senhor? São boas para os seus intestinos.

Depois de entregue a lista de compras, iam ambos para O parque, onde um velho amigo do pai de Stephen, Mike Flynn, se encontrava sentado num banco, à espera deles. Depois Stephen começava a correr em volta do parque. Mike Flynn postava-se junto do portão, perto da estação de caminhos-de-ferro, com o relógio na mão, enquanto Stephen corria, no estilo preferido de Mike Flynn, com a cabeça bem levantada, os joelhos bem altos e as mãos esticadas aos lados do corpo. Quando terminava o treino matinal, o treinador fazia os seus comentários, e, por vezes, ilustrava-os, arrastando comicamente os pés ao longo de um metro, com o seu velho par de sapatos de lona azuis. Reunia-se à sua volta um pequeno círculo de crianças e amas-secas embasbacadas, para o ver, não se afastando mesmo quando ele e o tio Charles já se tinham sentado de novo e conversavam sobre atletismo e política. Embora tivesse ouvido o pai dizer que tinham passado pelas mãos de Mike Flynn alguns dos melhores corredores dos tempos modernos, Stephen observava o rosto balofo, com a barba por fazer, do seu treinador, quando ele o inclinava sobre os longos dedos manchados pela nicotina, ao enrolar o cigarro, e observava com piedade os seus olhos azuis suaves e, sem brilho que se erguiam subitamente do seu trabalho e olhavam vagamente a distância azul, enquanto os dedos longos e inchados paravam de enrolar o cigarro e os grãos e fibras de tabaco caíam novamente dentro da bolsa.

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Capa do livro Retrato do Artista Quando Jovem
Páginas: 273
Página atual: 58

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 57
III 103
IV 156
V 186
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