Tufão - Cap. 3: III Pág. 41 / 103

Ele recebeu-as indefeso sobre a cabeça descoberta, com ambas as mãos ocupadas a agarrar-se.

O movimento do navio era extravagante. Os seus balanços súbitos eram pavorosamente descontrolados; arfava como se fosse mergulhar no vazio e de todas as vezes parecia ir chocar contra uma parede. Quando balançava ficava todo deitado sobre o flanco e endireitava-se com um choque tão demolidor que Jukes o sentia cambalear como cambaleia antes de tombar um homem que recebeu uma paulada na cabeça. O vento uivava e rugia gigantescamente nas trevas que o envolviam como se todo o mundo estivesse metido num abismo negro. Em certos momentos o vento lançava-se contra o navio, como se sugado através de um túnel, com uma sólida força de impacto concentrada que parecia erguê-lo todo fora de água e mantê-lo n~ ar por uu: instante apenas com uma vibração que o percorria da proa a popa. E depois ele recomeçava com os seus saltos acrobáticos como se o tivessem deixado cair de novo num caldeirão a ferver. Jukes esforçava-se por pensar e ajuizar as coisas friamente.

O mar, aplanado pelas rajadas mais fortes, erguia-se e cobria as duas extremidades do Nan-Shan de alvacentas catadupas de espuma, que se expandiam para além das suas amuradas, pela noite dentro. E neste lençol ofuscante, alastrando debaixo do negrume das nuvens e emitindo uma luminosidade azulada, o capitão MacWhirr conseguia um desconsolador vislumbre de algumas manchas minúsculas e negras como ébano, as coberturas das escotilhas, as cúpulas reforçadas de iluminação interior do navio, as pontas dos guinchos cobertos, a base de um mastro. Era tudo o que podia ver do seu navio. A meia-nau, coberta pela ponte onde ele se encontrava com o seu imediato junto da casa do leme, onde um homem manobrava o navio, fechado com o seu medo de ser levado pela borda fora juntamente com tudo o mais no meio de um grande barulho de coisas partidas - a meia-nau era como um rochedo que a preia-mar cobre perto da costa.





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