A Última Aventura de Sherlock Holmes - Cap. 7: O DESAPARECIMENTO DE LADY FRANCES CARFAX Pág. 160 / 210

Então, por fim, com respiração artificial; injecções de éter e outros recursos de que a ciência dispõe, um rasto de vida, uma tremura das pálpebras, um ténue embaciamento de um espelho, acusaram uma lenta ressurreição. Chegara entretanto um trem, e Holmes, afastando a persiana, disse:

- Aí vem Lestrade com o mandado. A caça fugiu. E aqui – acrescentou, ao ouvir passos pesados no corredor – está alguém que tem mais direito a cuidar desta senhora do que nós. Bom dia, Mr. Green, Quanto mais depressa tirarmos daqui Lady Frances, melhor… O funeral pode sair, está claro; que a pobre velha que jaz no caixão repouse em paz, sozinha.

- Se quiser incluir o caso nos seus anais, meu caro Watson - disse Holmes à noite -, só o deverá fazer como exemplo desse temporário eclipse a que até o cérebro mais apto está sujeito. São falhas comuns em qualquer mortal, e a glória pertence a quem os reconhece e emenda. Pelo menos a este crédito terei direito, penso. Toda a noite me perseguiu a ideia de que desprezara uma pista, uma frase, uma observação. Então, de súbito, ao alvorecer, as palavras vieram-me à memória. Era a observação da mulher do cangalheiro, relatada por Philip Green. A mulher dissera: «Já cá devia estar. Levou mais tempo por não ser como o costume.» Falava do caixão. Um caixão que não era como o costume. Ora, isso só podia significar que fora construído para um fim especial. Mas porquê? Porquê? Num instante, lembrei-me dos lados altos e do corpo mirrado no fundo. Para quê um caixão tão grande para um cadáver tão pequeno? Para deixar espaço destinado a outro corpo. Seriam os dois enterrados com uma certidão de óbito. Tudo tão simples... se eu não tivesse tido uma transitória falha de raciocínio.





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