Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 4: O GATO DO BRASIL

Página 89
O GATO DO BRASIL
(The brasílian cat)

É um azar para um homem novo ter gostos dispendiosos, grandes pretensões, relações aristocráticas, pouco dinheiro sonante nas algibeiras e nenhuma profissão para ganhá-lo. Com o seu optimismo de sanguíneo, o meu excelente homem e pai tinha tanta confiança na fortuna e nas disposições favoráveis do irmão mais velho, lorde Southerton, que nunca casara, que não concebia para mim, seu filho único, a possibilidade de ter de alguma vez viver dos meus próprios meios. Mesmo que, pensava ele, os vastos domínios de Southerton nunca me pertencessem, sempre se haveria de arranjar, no serviço diplomático, algum desses postos que constituem entre nós o supremo recurso das classes privilegiadas. Morreu demasiado cedo para conhecer o seu erro. Nem o meu tio nem o Estado se preocuparam comigo e com o meu porvir. Um casal de faisões ou um cesto de lebres que me chegavam de vez em quando, era tudo quanto havia para me lembrar a minha qualidade de herdeiro de Orwell House e de um dos mais ricos feudos do país. Todavia, eu chegara à idade adulta; vivia como um rapaz solteiro, em Londres, num espaçoso apartamento de Grosvenor Mansions; em matéria de ocupações, dividia-me entre o tiro aos pombos e o pólo em Hurlingham; e sentia crescer um pouco mais todos os meses a dificuldade de obter dos correctores a renovação das minhas ordens de pagamento ou de realizar alguns adiantamentos sobre bens que se obstinavam a permanecer nas mãos de outros. A ruína espreitava-me na primeira curva da estrada; cada dia surgia-me mais certa, mais próxima, mais inevitável.

O que agravava para mim a pobreza era ao mesmo tempo a imensa fortuna de lorde Southerton, a situação particularmente desafogada da minha família.

<< Página Anterior

pág. 89 (Capítulo 4)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro Histórias Extraordinárias
Páginas: 136
Página atual: 89

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
MÃO ESCURA 1
O CASO DE LADY SANNOX 19
O PARASITA 31
O GATO DO BRASIL 89
O FUNIL DE CABEDAL 113
O QUARTO DO PESADELO 127
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site