O Primo Basílio - Cap. 10: CAPÍTULO X Pág. 286 / 414

amarrotada:

- Isto não se pode vestir, está indecente!

Juliana fez-se amarela; cravou em Luísa um olhar chamejante; mas, com os beiços trémulos, desculpou-se: a goma era má, fora já trocá-la, etc.

Apenas, porém, Jorge saiu, veio como uma rajada ao quarto, fechou a porta e pôs-se a gritar - que a senhora sujava um ror de roupa, o senhor um ror de camisas, que se não tivesse alguém que a ajudasse não podia dar aviamento!... Quem queria negras trazia-as do Brasil!

- E não estou para aturar o génio do seu marido, percebe a senhora? Se quer é arranjar quem me ajude.

Luísa disse simplesmente:

- Eu a ajudarei.

Tinha agora uma resignação muda, sombria, aceitava tudo!

Logo no fim da semana houve uma grande trouxa de roupa; e Juliana veio dizer que se a senhora passasse, ela engomava. Senão, não!

Estava um dia adorável; Luísa tencionava sair... Pôs um roupão, e, sem uma palavra, foi buscar o ferro.

Joana ficou atônita.

- Então a senhora vai engomar?

- Há uma carga, e a Juliana só não pode aviar tudo, coitada!

Instalou-se no quarto dos engomados - e estava laboriosamente passando a roupa branca de Jorge, quando Juliana apareceu, de chapéu.

- Você vai sair? - exclamou Luísa.

- É o que eu vinha dizer à senhora. Não posso deixar de sair. - E abotoava as luvas pretas.

- Mas as camisas, quem as engoma?

- Eu vou sair - disse a outra secamente.

- Mas, com os diabos, quem engoma as camisas?

- Engome-as a senhora! Olha a sarna!

- Infame! gritou Luísa. Atirou o ferro para o chão, saiu impetuosamente.

Juliana sentiu-a ir pelo corredor aos soluços.

Pôs-se logo a tirar o chapéu e as luvas, assustada. Daí a um momento ouviu a cancela da rua bater com força. Veio ao quarto, viu o roupão de Luísa arremessado, a chapeleira tombada.





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