O Livro da Selva - Cap. 6: TUMAI DOS ELEFANTES Pág. 135 / 158

E por fim, quando as chamas se extinguiram e a luz vermelha do braseiro dava a impressão de que os elefantes haviam também sido mergulhados em sangue, Machua Appa, chefe de todos os condutores das várias quedás - Machua Appa, o braço-direito de Petersen Sàibe, que não vira em quarenta anos uma estrada artificial, ele, que era tão grande que não tinha outro nome senão Machua Appa -, levantou-se de um salto, com Tumai Pequeno erguido ao alto acima da cabeça, e bradou:

- Ouvi, irmãos! Ouvi vós também, meus senhores das fileiras, porque sou eu, Machua Appa, que falo! Este petiz não se chamará doravante Tumai Pequeno, mas Tumai dos Elefantes, como seu bisavô, antes dele, se chamou. Aquilo que nunca homem algum viu viu-o ele, durante a noite grande, e a graça da nação dos elefantes e dos deuses da Selva está com ele. Virá a ser grande pisteiro, será maior até do que eu, Machua Appa! Ele seguirá a pista nova, a pista velha e a pista média com olhar límpido. Nenhum mal lhe acontecerá na quedá quando passar a correr debaixo dos ventres dos colmilhudos bravos, a lançar-lhes a corda, e, se escorregar diante das patas do elefante macho na sua arremetida, o bicho saberá quem ele é e não o esborrachará. Ahaa!, meus senhores acorrentados - desandou em frente da linha das estacas -, eis o pequenino que presenciou as vossas danças nos lugares ocultos - espectáculo que nunca um homem vira! Prestai-lhe honras, meus senhores! Salaame caro, meus filhos! Fazei a saudação a Tumai dos Elefantes! Ganga Perxade, ahaa! Haira Gaje, Catar Gaje, Birxi Gaje, ahaa! Pudmini, tu viste-o na dança, e tu também, Cala Nague, minha pérola dos elefantes! Ahaa! Todos! A Tumai dos Elefantes, Barrao!

E a esse grito selvagem toda a fileira elevou de súbito as trombas, até lhe tocarem na testa, e soltou a grande saudação, o toque de trombeta estonteante que só o vice-rei da Índia ouve o Salaame-Ut da quedá.





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