A Harpa do Crente - Cap. 10: A CRUZ MUTILADA Pág. 114 / 117

Ela vil e tu vil, santos, sublimes

Sereis ante meu Pai. Ergue-te, escravo!

Abraça tua irmã: segue-a sem susto

No caminho dos séculos. Da Terra

Pertence-lhe o porvir, e o seu triunfo

Trará da tua liberdade o dia.»

Eis porque teus irmãos te arrojam pedras,

Ao perpassar, ó cruz! Pensam ouvir-te

Nos rumores da noite, a antiga história

Recontando do Gólgata, lembrando-lhes

Que só ao Cristo a liberdade devem,

E que ímpio o povo ser é ser infame.

Mutilado por ele, a pouco e pouco,

Tu em fragmentos tombarás do cerro,

Símbolo sacrossanto. Hão-de os humanos

Aos pés pisar-te; e esquecerás no mundo.

Da gratidão a dívida não paga

Ficará, ó tremenda acusadora,

Sem que as faces lhes tinja a cor do pejo;

Sem que o remorso os corações lhes rasgue.

Do Cristo o nome passará na Terra.





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