Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 4: MOCIDADE E MORTE

Página 56
MOCIDADE E MORTE

Solevantado o corpo, os olhos fitos,

As magras mãos cruzadas sobre o peito,

Vede-o, tão moço, velador de angústias,

Pela alta noite em solitário leito.

Por essas faces pálidas, cavadas,

Olhai, em fio as lágrimas deslizam;

E com o pulso, que apressado bate,

Do coração os estos harmonizam.

É que nas veias lhe circula a febre;

É que a fronte lhe alaga o suor frio;

É que lá dentro à dor, que o vai roendo,

Responde horrível íntimo cicio.

Encostando na mão o rosto aceso,

Fitou os olhos húmidos de pranto

Na lâmpada mortal ali pendente,

E lá consigo modulou um canto.

É um hino de amor e de esperança?

É oração de angústia e de saudade?

Resignado na dor, saúda a morte,

Ou vibra aos céus blasfémia d’impiedade?

É isso tudo, tumultuando incerto

No delírio febril daquela mente,

Que, balouçada à borda do sepulcro,

Volve após si a vista longamente.

<< Página Anterior

pág. 56 (Capítulo 4)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro A Harpa do Crente
Páginas: 117
Página atual: 56

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
A SEMANA SANTA 1
A VOZ 32
A ARRÁBIDA 35
MOCIDADE E MORTE 56
DEUS 71
A TEMPESTADE 76
O SOLDADO 82
D. PEDRO 92
A VITÓRIA E A PIEDADE 96
A CRUZ MUTILADA 106
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site