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Capítulo 7: VII - O homem do zorame

Página 65

O mancebo ficou por algum tempo pensativo e murmurou:

– Cumprir-se-á meu destino! – Depois voltando-se para o abade disse-lhe: – Ficai tranquilo, bom Fr. Hilarião, esta mesma noite sairei de Guimarães.

– E breve! – acudiu o Lidador. – O esforço não exclui a prudência. Se todavia alguém tentar embargar-te os passos, não te esqueças de que Gonçalo Mendes está aqui, e que tem consigo vinte escudeiros valentes.

Neste instante as trombetas tocavam pelos eirados do paço e pelos adarves do castelo, e ouviam-se romper da banda da sala de armas os sons ásperos e vibrantes das charamelas.

– É o sinal de que começa o banquete – notou o abade, a quem semelhantes sons eram suaves, ainda nas maiores angústias. – É necessário apresentarmo-nos a tempo, para não causarmos suspeitas.

Egas apertou a mão ao Lidador, abraçou o monge, e, puxando o capuz do zorame para diante, seguiu ao longo da viela, enquanto os dois retrocediam e se encaminhavam para a escada principal do palácio, com passos lentos e conversando em voz baixa. Antes de chegarem acima, viram passar por eles um pajem galgando os degraus quatro a quatro e rindo como um perdido.

– Estes rapazes são doidos! – disse o monge para o seu companheiro de modo que o pajem o ouvisse.

Este olhou para trás, fitou os olhos em Fr. Hilarião com gravidade cómica, e deu uma gargalhada, continuando a galgar a escadaria.

Era Tructesindo.

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Capa do livro O Bobo
Páginas: 191
Página atual: 65

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Introdução 1
II - Dom Bibas 8
III - O Sarau 18
IV - Receios e esperanças 27
V - A madrugada 38
VI - Como de um homenzinho se faz um homenzarão 45
VII - O homem do zorame 59
VIII - Reconciliação 66
IX - O desafio 80
X - Generosidade 90
XI - O subterrãneo 97
XII - A mensagem 110
XIII - A boa corda de cânave de quatro ramais 123
XIV - Amor e vingança 141
XV - Conclusão 157
Apêndice 173
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