De como o A. foi passando e divagando, e em que pensava e divagava ele, no caminho da vila da Azambuja até o famoso pinhal do mesmo nome. — Do poeta grego e filósofo Démades, e do poeta e filósofo inglês Addison, da casaca de peneiros e do pálio ateniense, e de outros importantes assuntos em que o A. quis mostrar a sua profunda erudição. — Discute-se a matéria gravíssima se é necessário que um ministro de Estado seja ignorante e leigarraz. — Admiráveis reflexões de ziguezague em que se trata de re política e de re amatória. Descobre- se por fim que o A. estivera a sonhar em todo este capítulo, e pede-se ao leitor benévolo que volte a folha e passe ao seguinte.
EU darei sempre o primeiro lugar à modéstia entre todas as belas qualidades. — Ainda sobre a inocência? — Ainda sim. A inocência basta uma falta para a perder, da modéstia só culpas graves, só crimes verdadeiros podem privar. Um acidente, um acaso podem destruir aquela, a esta só uma acção própria, determinada e voluntária.
Bem me lembram ainda os dois versos do poeta Démades que são forte argumento de autoridade contra a minha teoria; cuidei que tinha mais infeliz memória. Hei-de pô-los aqui para que não falte a esta grande obra das minhas viagens o mérito da erudição, e lhe não chamem livrinho da moda: estou resolvido a fazer a minha reputação com este livro.