Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 24: Capítulo 24

Página 467
Nós lá estamos, na maçada do enterro... Boas-tardes, Sr. Serafim.

Apertaram a mão ao Serafim, que lhes mediu duas aguardentes - e informou-se se a defunta era a noiva do Sr. Joãozinho. Tinham-lhe dito que morrera duma veia rebentada.

O baixito riu:

- Qual veia rebentada! Não lhe rebentou coisa nenhuma. O que lhe rebentou foi um rapagão pelo ventre...

- Obra do Sr. Joãozinho? perguntou o Serafim, arregalando o olho brejeiro.

- Não me parece, disse o outro com importância. O Sr. Joãozinho estava em Lisboa... Obra de algum cavalheiro da cidade. Sabe vossemecê de quem eu desconfio, Sr. Serafim?

Mas a Gertrudes, esbaforida, rompeu pela taberna gritando que o saimento já ia ao pé do cemitério, e que não faltavam senão "aqueles senhores"! Os lacaios abalaram logo, e alcançaram o enterro quando ia passando a pequena grade do cemitério, ao último versículo do Miserere. João Eduardo agora levava uma vela na mão, ia logo atrás do caixão de Amélia, tocando-o quase, com os olhos enevoados de lágrimas fitos no veludilho negro que o cobria. Sem cessar o sino na capela dobrava desoladamente. A chuva caía mais miúda. E todos calados, no silêncio fusco do cemitério, com passos abafados pela terra mole, iam-se dirigindo para o canto do muro onde estava cavada de fresco a cova de Amélia, negra e profunda entre a relva húmida. O menino do coro cravou no chão a haste da cruz prateada, e o abade Ferrão, adiantando-se até à beira do buraco escuro, murmurou o Deus cujus miseratione...

<< Página Anterior

pág. 467 (Capítulo 24)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro O Crime do Padre Amaro
Páginas: 478
Página atual: 467

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 10
Capítulo 3 19
Capítulo 4 45
Capítulo 5 59
Capítulo 6 77
Capítulo 7 93
Capítulo 8 111
Capítulo 9 123
Capítulo 10 142
Capítulo 11 182
Capítulo 12 204
Capítulo 13 217
Capítulo 14 236
Capítulo 15 272
Capítulo 16 290
Capítulo 17 313
Capítulo 18 319
Capítulo 19 344
Capítulo 20 361
Capítulo 21 376
Capítulo 22 395
Capítulo 23 425
Capítulo 24 455
Capítulo 25 469
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site